11.20.2005
... EXISTE SEMPRE UM XICO-ESPERTO...

Construir um país.
Precisa-se de matéria prima para construir um País
Precisa-se de matéria prima para construir um País
A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como
Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos ... e para eles mesmos. Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos. Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito. Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos.
Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos ... e para eles mesmos. Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos. Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito. Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos.
Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros. Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem económica. Onde nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar a alguns.
Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser "compradas", sem se fazer qualquer exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar-lhe o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão. Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.
Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.
Como "matéria prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que nosso país precisa. Esses defeitos, essa "CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA" congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte... Fico triste. Porque, ainda que Sócrates fosse embora hoje mesmo, o próximo que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada...
Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro
os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa?
Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa.
E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados,
ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente abusados!
É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...
Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.
Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a nos acontecer: desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez. Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.
E você, o que pensa?.... MEDITE!
EDUARDO PRADO COELHO
(in Público)
10.20.2005
Grandes combates...

O combate vai vai recomeçar. Eu aposto em PTG!
9.30.2005
A Praça que era Minha.

(foto de Ma.Da Silva in ptg blog)
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Um mercado, uma feira. O homem que vendia melões e a mulher que comprava nastros para fazer ligas.
Havia também uma casa de pasto onde os polícias de giro bebiam copos mesmo nas horas de serviço. Falava-se nisso entre o relembrar a foto do rei de Espanha que estava colocada na parede e a morte da avó que ocorrera quando ainda era muito jovem. Posso jurar-vos que nos meus cromossomas há de certeza registo vivo dos queijos, das abóboras, das cestas de vime, das bilhas feitas em barro, que passaram pelo corro nas manhãs de mercado livre.
..........
(F. Alves, Noites na Praça, 2004)
9.23.2005
Um dia sem automóveis (22.09.2005)

Meu Deus: Graças por não ter sido atropelado. Só um milagre pode explicar o facto de eu ainda estar vivo depois do passeio que fiz a pé pela cidade na manhã deste dia.
Sem um único passeio desocupado, sem uma única rua ou viela que não estivesse saturada de automóveis de grande cilindrada ou bulldozers em pleno esforço, foi de facto uma grande aventura ter metido os pés ao caminho.
Felizmente saí ileso.
9.17.2005
Qualidade de Vida

Coisa curiosa esta de que vos vou falar...
No mínimo uma vez por semana vou passear pela serra de S. Mamede numa tentativa (vã) de esquecer os problemas graves da minha vida.
Esta serra é dos lugares mais bonitos que passaram sob os meus olhos. O cheiro dos pinheiros e das charas tem o condão de me reduzir 0 elevado tónus muscular que se foi acumulando sobre o meu corpo ao logo dos anos. O simples facto de poder olhar ao longe relaxa-me os olhos e limpa-me o espírito.
A isto os políticos chamam «qualidade de vida» - ao acto simples de poder fugir dos gases saídos dos tubos de escape e carregados de metais pesados. E todos eles prometem criar condições ao povo para que todo o povo possa desfrutar dessa «qualidade de vida».
Ir à serra não custa nada. A pé, de bicicleta de montanha, de autocarro! O portalegrense tem aqui à porta o local ideal para gozar a vida com qualidade.
Curiosamente quando vou a S. Mamede não encontro por lá ninguém.
8.27.2005
A passadeira evaporou-se…
Ontem à noite havia aqui uma passadeira para peões que dava muito jeito a quem tinha de atravessar a avenida das Forças Armadas e ir ao centro comercial a Fontedeira.
Hoje,

Alguém a substituiu por toda esta arrozada.
Se calhar é para os senhores da cidade poderem acelerar à vontade as suas brutas máquinas e impunemente passarem a ferro qualquer transeunte que se aventure à estrada sem que previamente ligue o turbo das suas sandálias.
Senhores à força, mandadores sem lei…
Hoje,

Alguém a substituiu por toda esta arrozada.
Se calhar é para os senhores da cidade poderem acelerar à vontade as suas brutas máquinas e impunemente passarem a ferro qualquer transeunte que se aventure à estrada sem que previamente ligue o turbo das suas sandálias.
Senhores à força, mandadores sem lei…
8.23.2005
Privilegiados.

Dada a falta de verbas para pagar ao funcionalismo publico de acordo com o requerido pelos seus sindicatos, não encontramos outra alternativa que não seja obrigar este senhor (dormindo no respectivo andaime), a perder o direito a assistência médica, pagar mais 2% de IRS, não ser aumentado durante a próxima década e passar-lhe a idade de reforma para os 75 anos.
Trata-se manifestamente de um privilegiado pois até conseguiu arranjar emprego neste tão conturbado período histórico nacional.
A Anedota do Ano
